Ministério confunde ao dizer que coronavírus não é transmitido pelo ar.

Mas, com o avanço dos estudos, tornou-se consenso internacional de que o novo coronavírus é um vírus de transmissão aérea.

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O Ministério da Saúde confunde os cidadãos ao garantir que o novo coronavírus não é transmitido pelo ar. Como toda doença recente, com o desenvolvimento dos estudos, especialistas e órgãos internacionais continuam analisando os dados sobre o vírus e a covid-19, e já consolidaram que é um vírus de transmissão aérea e que o ar não pode ser descartado.
Em uma lista de perguntas e respostas, o órgão responde que o vírus não é transmitido pelo ar. "A transmissão acontece de uma pessoa doente para outra ou por contato próximo", explica o ministério.
A informação, embora não esteja tecnicamente errada ao citar espirro, tosse e catarro como meios transmissores, confunde ao negar que o ar transmita o vírus sem contextualizar. Para agências internacionais, não há como garantir que ar não seja transmissor.
Coronavírus é um vírus de transmissão aérea No início da doença, órgãos internacionais ainda tinham dúvida se o vírus só passava por meio de contato direto. Mas, com o avanço dos estudos, tornou-se consenso internacional de que o novo coronavírus é um vírus de transmissão aérea.
Em outubro, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos) atualizou sua página de meios de transmissão do coronavírus para "incluir evidências sobre o potencial de propagação aérea do vírus" para além da distância recomendada de um a dois metros. "A atualização reconhece a existência de alguns estudos publicados que mostram circunstâncias raras e incomuns em que pessoas com covid-19 infectaram outras que estavam a mais de seis pés [quase dois metros] de distância ou logo depois que a pessoa com covid-19 deixou o local", diz o texto do CDC.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) explica que o maior risco se dá, de fato, entre pessoas com contato próximo (inferior a 1 metro), sem proteção adequada e em ambientes fechados, mas não descarta a transmissão pelo ar. O órgão cita os riscos dos aerossóis (gotículas muito pequenas), "que são capazes de permanecer suspensas no ar por longos períodos", em algumas situações, como em procedimentos médicos e lugares lotados.
"Houve relatos de surtos de covid-19 em alguns ambientes fechados, como restaurantes, boates, locais de culto ou ambientes de trabalho onde as pessoas podem estar gritando, conversando ou cantando. Nesses surtos, a transmissão por aerossóis —especialmente em locais fechados, onde há espaços lotados e inadequadamente ventilados, onde as pessoas infectadas passam longos períodos com outras pessoas— não pode ser descartada", afirmou a OMS,
Por outro lado, o órgão ressalta que também há uma probabilidade destes surtos terem se dado por meio de gotículas e diz que ainda há muito o que ser estudado sobre o vírus. "Mais estudos são necessários com urgência para investigar esses casos e avaliar seu significado para a transmissão da covid-19", diz a OMS.
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