Telecardiologia: especialistas debatem implementação da Linha do Cuidado ao Infarto Agudo no Miocárdio no SUS

Série de debates promovida pelo Ministério da Saúde ocorre após a regulamentação da telessaúde no Brasil

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Após regulamentar a Telessaúde no Brasil, com o objetivo de garantir acesso à saúde pública de qualidade para todos os brasileiros, o Ministério da Saúde promoveu uma série de debates para discutir o tema. Nesta quinta-feira (2), uma das mesas de debate girou em torno da atenção especializada, cuja a telessaúde também é muito importante para diversas ações assistenciais. O tema da apresentação, iniciada pelo Dr. Antônio Luiz Pinho Ribeiro, Coordenador da Rede de Teleassistência de Minas Gerais e do Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi a telecardiologia, com implementação da Linha do Cuidado ao Infarto Agudo no Miocárdio no Sistema Único de Saúde (SUS).

A telecardiologia é uma das especialidades mais beneficiadas pelas inovações tecnológicas que permitem a troca de informações online na área da saúde. As novidades tecnológicas nesse campo da medicina tem o objetivo de atender e identificar cardiopatias e outras alterações no funcionamento do coração de forma precoce e em tempo oportuno permitindo tratamento adequado e evitando complicações ou morte dos pacientes.

"No Brasil, as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte, representando algo em torno de 28% na taxa de mortalidade do país. Criada em 2005 a partir do Projeto de Pesquisa Minas Telecardio, a Rede de Telessaúde de Minas Gerais é composta por sete universidades públicas mineiras e liderada pelo Centro de Telessaúde do Hospital das Clínicas da UFMG. Os diagnósticos remotos de eletrocardiograma são o grande destaque da rede, são mais de 4 mil laudos por dia, com urgências liberadas em até 5 minutos", destacou Ribeiro.

Os principais diferenciais da telecardiologia estão na possibilidade da emissão de laudos à distância para exames como ECG, Holter e até o MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial), que podem ser feitos de forma remota por cardiologistas, que não necessariamente atuam diretamente na clínica ou hospital onde o exame foi realizado. Pela telemedicina, o resultado da avaliação é enviado pela internet para uma central online, que a distribui para sua equipe de especialistas.

Além da emissão de laudos, a telecardiologia tem outras frentes possibilitadas pela telemedicina, como o monitoramento remoto de pacientes (teleassistência), a interação médica online (teleconferência) e a capacitação profissional à distância (teleducação), permitindo acompanhamento e monitoramento do paciente, garantindo que a terapia seja ofertada em tempo adequeado e que os tratamentos necessários, com cuidado continuado, desde o pré-hospitalar até a UTI, reabilitação cardiovascular e retorno à unidade ambulatorial aconteçam da forma adequada.

Para o médico cirurgião Fábio Jatene, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), a telessaúde é um programa de extrema relevância, que beneficia todos os níveis de atenção e todas as especialidades médicas. Ele destacou o uso da telemedicina no processo de transplantes. "Antigamente nós tínhamos dificuldade em saber a condição do coração para transplantes. Por muitos anos fizemos avaliação visual. Hoje, por meio da tele, conseguimos fazer uma avaliação cardiográfica e analisar o coração em pouco tempo", destacou Jatente.

O especialista concluiu dizendo que o centro do Instituto do Coração (Incor) vai assessorar e monitorar uma operação cardíaca de forma remota em outro centro no Maranhão. As equipes não terão contato com os pacientes, mas aos exames que servirão para fazer análise e discussão de cada caso. "Tudo isso por telessaúde, vamos imprimir também as peças anatômicas em 3D, tanto no centro do INCOR quanto no centro do Maranhão, e acompanharemos tudo em tempo real", disse.

Para Vitor Salvatori, do Instituto de Cardiologia do DF (ICDF), a telemedicina tem utilidade para cardiologia e várias outras situações, com possibilidade de funcionar em qualquer lugar do Brasil, principalmente em locais remotos. "Nossa motivação em relação a linha de cuidado do infarto é trazer equidade no ambiente de emergência, quando a performance é bastante demandada.

Telessaúde em debate
Após o evento que marcou a assinatura da portaria que regulamenta a telessaúde no Brasil, o Ministério da Saúde deu espaço para debates e discussões sobre esse tema. Vários especialistas, médicos, gestores, parlamentares, representantes de entidades e de universidades abordam os desafios e perspectivas da saúde digital dentro de várias áreas. Os debates ocorrem ao longo dessa quinta (2) e sexta-feira (3) com transmissão ao vivo. O conteúdo completo e na íntegra, além da programação, pode ser acessado na página 
especial: gov.br/telessaude.

Gustavo Frasão
Ministério da Saúde

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